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sábado, 22 de junho de 2013

What Is Love? 9° capitulo



Tarzan and Jane were swingin' on a vine
Candyman, candyman
Sippin' from a bottle of vodka double wine
Sweet, sugar, candyman
Hey, uh 

- Inferno. - Falei, socando a porra do celular.
Já eram sete e dez da manhã. Eu tinha que levantar e me arrastar até a escola. Ou não. Levantei-me num ímpeto e adentrei meu banheiro. Tirei minha roupa e a joguei no cesto para roupas sujas, as quais Nany, a empregada, iria pôr na máquina para lavar. Tomei meu banho quente e rápido. Saí do banheiro com a toalha enrolada na cintura e vi minha roupa dobrada sobre a cama. Esbocei um sorriso. Nany estava lá.
Vesti a calça cáqui, a blusa social preta, que eu costumava dobrar as mangas até a altura do cotovelo, calcei meus Vans quadriculados cinza e preto. Passei a toalha de leve em meus cabelos e chacoalhei a cabeça freneticamente de um lado a outro.
Desci as escadas e caminhei até a cozinha. O céu estava estranhamente azul e o sol já raiava.
- Acordou sem protestar, menino. - Nany disse quando percebeu que eu entrei na cozinha. Sentei-me sobre a mesa e dei um gole enorme no suco de laranja. Estranhei um pouco o gosto da bebida no início, mas logo meu paladar se adaptou à "nova bebida". - Você está bem, Justin? - Voltei a ouvir Nany dizer enquanto eu mastigava um pedaço de bolo.
- Eu?! Estou óti...mo... - disse de boca cheia, levantando-me. 
Voltei ao meu quarto, borrifei minha colônia preferida em meu pulso, pescoço e sobre a roupa. Exatamente quatro borrifadas, do jeito que eu gostava. Peguei meu celular e o enfiei no bolso traseiro da minha calça e peguei minha mochila. Caminhei até a sala.
- Nany, o vestido está seco? - Perguntei enquanto ajeitava a gola da minha jaqueta, vendo-me refletido no espelho de forma oval que havia na sala.
- Está sim, filho. Dentro de uma capa, lá na lavanderia. - Ela disse da cozinha.
Fui até a lavanderia e avistei a capa cinza que guardava o vestido. A barra vermelha do vestido com bordas em renda preta estava à mostra. Sorri involuntariamente.
- See ya, Nany. - Falei enquanto corria para dentro do elevador.

Comecei a caminhar por aquela grama verde e cerrada. Sentia olhares sobre mim.
- Justinzinho. - Batista chamou com aquela voz mais que vulgar. Revirei a minha órbita ocular, respirei fundo, bufei e tomei uma injeção de falsidade.
- Batista. - Disse, abrindo os braços e preparando meus pulmões para receber uma dose do pior perfume do mundo, o da Carol, que era uma mistura de flores, feromônio de insetos, muske algum incenso. Ela veio com tudo e se encaixou perfeitamente em meu abraço.
- Biebes, o que aconteceu contigo, amorzinho? Você está bem? - Ela disse, analisando meu rosto com aqueles olhos azuis curiosos. Notei que a cambada que a seguia estava me fitando também.
- Estou bem sim, Carol... Só bati o carro. Mas estou bem. - Falei enquanto tentava me desvencilhar do abraço daquela boneca de plástico.
- Que bom, Justinzinho. Ah! Adorei o seu presente! - Ela disse, chacoalhando um iPhone de capa rosa, que eu havia lhe dado sábado, na festa.
- Imaginei que você ia gostar. - Lancei um sorriso amarelo. (n/a: Sorriso joaninha.)
- O que você está procurando, Bieber? - Carol disse ao notar que eu procurava alguém com os olhos.
- Hã? Nada... Ninguém... - pigarreei falsamente. Milagrosamente o sino tocou, anunciando o início do primeiro tempo.
Entrei na escola e comecei a procurar por SN. Em vão. Caminhei até meu armário, peguei o livro de Gramática, coloquei a capa onde estava o vestido no cabide e me dirigi até a sala, no fim do corredor.
- Bom dia, Hemmigans. - Falei e procurei uma carteira ao fundo da sala, meu lugar preferido. Joguei minha mochila na carteira e me sentei folgadamente na cadeira.
- Abram seus livros na página 47, adjectives, superlatives and comparatives... - de volta à escola. Abri meu livro com mais vontade do que uma ameba com torcicolo. 
- Licença, Mr. Hemmigans. - Uma voz extremamente baixa e conhecida falou, interrompendo a explicação inútil do professor. Ergui meu olhar na direção de onde a voz tinha vindo e lá estava ela, SN. Ela usava uma calça de moletom extremamente larga branca, um casaco cinza com bolinhas pretas e seus óculos de grau. Lá estava a SN do colégio, não a da festa.
- Por que o atraso, senhorita SS (seu sobrenome)? - Disse o gordão da barba grisalha com um giz na mão, olhando-a por cima das lentes do óculos quadrado que ele usava.
Ela entreabriu a boca, tentando buscar alguma resposta.
- Eu... eu... acordei... atrasada... Isso! Acordei atrasada. - Ela disse. AH! Qual é?! Esta desculpa foi usada por Lincoln, na época dele.
- Ok, senhorita SS (seu sobrenome). Vá se sentar e abra seu livro na página 47. - A figura gorda disse e se virou para o quadro novamente. Ela procurou algum lugar vago para se sentar. Mas as únicas carteiras vagas que havia eram as do fundo. Ela não gostava de sentar no fundo. Como eu sei? 
Fácil, eu nunca havia notado-a. Até este momento, não sabia que a gente fazia Gramática ao mesmo tempo, nas segundas-feiras.
- Aff... - ela bufou, jogando a mochila sobre a carteira que estava desocupada ao meu lado, sentando na cadeira logo em seguida. Ela tirou o livro da mochila e o colocou sobre a mesa, folheando-o até achar a maldita página 47.
- Psiu! - Chamei-a. Ela ignorou. - Psiu! - Continuei. Ignorado novamente. - SN... - sussurrei, finalmente obtendo alguma reação dela. Ela me olhou por trás das lentes fumê do óculos. - Por que os óculos? - Falei baixo.
Ela entreabriu a boca novamente.
- Senhorita SS (seu sobrenome), creio que aqui dentro não está tanto sol para usar estes óculos. A senhorita pode, por obséquio, retirá-los? 
Ela endireitou a postura e começou a esfregar excessivamente as mãos. Entreabria e fechava a boca várias vezes, vendo que não encontrava desculpas convincentes.
- Er... Não posso tirá-los, senhor Hemmigans... Desculpe.
- E por que não? - Ele falou e colocou o livro e os óculos sobre a mesa, cruzando os braços na altura do peito logo em seguida.
- Eu... Posso ir ao banheiro? - Ela falou.
- Se for voltar sem os óculos, pode. - Ele voltou-se ao quadro. Alguns cochichos foram ouvidos, já que a cena fora assistida por aproximadamente trinta e dois alunos. SN se levantou e caminhou até fora da sala, sendo observada por sessenta e quatro olhos, abstraindo os meus e o do gordão ali na frente, escrevendo no quadro.
- Professor, posso ir ao banheiro? - Menti.
- É realmente necessário, Bieber? - Ele indagou, sem parar de escrever no quadro.
- Aham. - Menti de novo.
- Vai. - Ele bufou.
Saí da sala e comecei a percorrer o extenso corredor. Enfermaria, não. Refeitório, não. Perto das máquinas de bebidas, doces e salgados, não. Logo avistei a placa que indicava o banheiro feminino. Olhei para os lados e me esgueirei pela porta. Lá estava ela. Sentada em cima da pia. Balançando as pernas.
- O que houve, SN? - Eu disse, aproximando-me dela. Ela ergueu a cabeça. Suas bochechas estavam marcadas com filetes de rímel, o que denunciou instantaneamente que ela estava chorando. 
- Lembra quando eu te disse que eu queria ser sincera contigo?
- Claro que lembro - falei, aproximando-me dela devagar.
- Então... - ela tirou o casaco de malha grossa e a camiseta preta que ela usava por baixo, deixou à mostra uma boa parte de seus braços e os hematomas gigantescos que ela tinha.
- O... O... que... - abri e fechei a boca várias vezes a fim de questionar o porquê daquelas marcas de dedos horríveis no braço dela. Ela tirou os óculos escuros e seu olho estava emoldurado por uma mancha roxa gigante. - Como?
- Lembra que eu disse que desejava ser sincera contigo, mas eu não podia?
Notei que ela balançava as pernas com uma velocidade reduzida. Aproximei-me dela e me encaixei entre as suas pernas, sem malícia, e a enlacei pela cintura. - Ei, ei... Olhe para mim. - Eu disse, colocando minha mão sob seu queixo e 'forçando-a' para que ela me olhasse. Sustentei seu olhar por alguns segundos. Notei que sua pupila oscilava de tamanho. Ora era grande, ora pequena. Vi que uma lágrima transbordou de seu olho. Envolvi SN em meu abraço. Ela apertou meu corpo contra o seu. 
- Eu queria, Justin... Juro que queria te dizer. Mas... O que você poderá fazer? Nada. 
Realmente eu não poderia ajudá-la, a não ser que ela quisesse. Querer? Sinto que ela queria, mas não podia.
- Claro que eu posso. - Falei. - Sempre que você quiser, pode desabafar, pode me procurar. - Falei, sendo sincero, confesso que estava abismado com o tanto de sentimentos que eu demonstrava, mas eu não questionei.
Ela começou a falar. Ela era uma menina sofredora.
Ficamos ali, em silêncio, apenas inertes em marés de pensamentos e sentimentos por algum tempo. O sino anunciando o segundo tempo bateu. A novidade? Ainda era aula com o demônio do Hemmigans.
- É melhor voltarmos para a aula... - falei, vendo que ela enxugava as lágrimas com as costas das mãos.
- Concordo. - Ela murmurou. - Mas... - ela continuou com uma voz tão baixa que parecia inaudível. - Mas e estas marcas, Justin? Como faço?
- Qualquer coisa... Você caiu... E bateu com o olho na quina da mesa... - entortei os lábios. AH! C'mon, Bieber! Você tem as melhores desculpas esfarrapadas, cadê elas agora? 
- Justin... - ela murmurou.
- Calma... Você não deve nada para ninguém mesmo, não é? Deixe que pensem, que digam. O que importa é você e mais nada.
Pois é, Justin. Por que você não segue a porra dos teus conselhos? Ela se levantou da pia e se virou de frente para o espelho, enxugando os vestígios de lágrimas que havia em suas bochechas. Ela enfiou os óculos escuros no bolso canguru do casaco. Abracei-a por trás e apoiei meu queixo na curva de seu ombro e seu pescoço, logo após depositar um beijo ali. Vi, pelo reflexo do espelho, que ela esboçou um sorriso.
- Fazia tanto tempo que eu não sorria... Digo, não espontaneamente. Obrigada, Justin.

SN's POV
E era verdade. Nem me lembro mais do último sorriso espontâneo que eu soltei. Fazia tanto tempo que eu não sorria. 
Mal acabei de raciocinar e Justin, em um movimento rápido e estonteante, virou-me a modo de que eu ficasse totalmente de frente a ele. 
A respiração quente dele batia levemente em meu rosto, seu olhar sustentava o meu. Seus olhos curiosos procuravam por algo dentro das minhas pupilas. Esbocei mais um sorriso e semicerrei meu cenho. Ele me apertou mais junto ao corpo, se é que isso é possível, e me abraçou. Lá estava o seu cheiro. Lá estava seu 212 Carolina Herrera Man. Lá estava o meu Justin. 
- Welcome. - Ele sussurrou em meu ouvido. Ele soltou o abraço e pousou suas mãos em meus ombros. Encaramo-nos por alguns (longos) segundos e ele selou nossos lábios. Não havia língua. Apenas um selar de lábios.
- Você realmente acha que tem alguma chance de a gente ter um relacionamento sério? Um beijo eu até dou, mas um namoro? - Ele soltou a pior risada. Segurou em meu queixo, nivelou nossos olhares e colou nossos lábios. Sim, os lábios dele pareciam ser de veludo, exatamente do jeito que eu imaginava. O beijo durou exatos 3 segundos. Nada mais do que isso. Ele separou nossos lábios e saiu, voltando ao convívio social com os dançarinos de break do colégio, jogadores de futebol e team leaders. Eu? Fiquei lá, segurando o choro e guardando o beijo em meus lábios. Um beijo de pena era tudo o que eu teria do Justin Bieber. 
Foi como se o ambiente do banheiro feminino sumisse e, no lugar, aparecesse aquele salão. Meus moletons sumiram e eu estava usando aquele vestido de cetim cor creme com alças mega finas. Justin? Perfeito, como sempre, usando um terno de linho azul escuro, as calças do mesmo tecido e cor. Um verdadeiro príncipe. O ambiente estava gelado e eu suava mais do que porco no sol. Meus órgãos do sistema digestório pareciam se contorcer dentro do meu abdômen, tamanha era minha decepção, amor e outros sentimentos indefinidos.
A lembrança, como um zumbi, desenterrou-se de algum ponto morto da minha memória e voltou a me assombrar. Droga! Será que era tão difícil assim corromper um elo com o passado?
Com um ímpeto, espalmei minhas mãos em seu tórax e o afastei para longe de mim. Meu consciente ainda não havia ligado o fato de que estávamos mais velhos, mais maduros e que ele estava me consolando e me ajudando em momentos difíceis. Meu coração aceitava isso, mas o meu intelecto não. Droga. Porra. Inferno. Mil vezes inferno. Saí correndo e deixei o Justin lá, com cara de paisagem, no mínimo sem entender nada.

Justin's POV
Mais uma festa. Desta vez não era uma festa da Batista. Pelo contrário, era da escola. O 'Festival de Talentos de Inverno do Magnólia High School'. Eu tinha me inscrito. Por apenas um motivo: depois daquela transa de quarenta e cinco dias atrás com a SN, eu estava compondo músicas compulsivamente e, modéstia parte, minhas músicas não eram tão ruins. 
Sim, eu estava empolgado. Esta noite certamente mudaria minha vida, talvez para o bem ou para o mal. 
Eu vestia apenas uma camiseta preta, uma bermuda jeans em um azul escuro, meu boné de aba reta e uma ou duas medalhas penduradas em meu pescoço. Peguei meu iPhone e o olhei.
- Não, amigo, hoje você fica em casa. - O celular seria a coisa mais inútil da noite. Joguei-o na cômoda de qualquer jeito e caminhei porta afora.
Ao chegar na sala, avistei meu companheiro ali, jogado no sofá, rodeado de papéis. Sorri e mordi meus lábios (n/a: a la Bieber). Peguei os papéis e corri os olhos por eles. Não. Ainda não havia decidido qual que eu cantaria. Peguei os papéis, meu violão e caminhei até o elevador.
- Deus me proteja! - Falei, suspirando e apoiando minha cabeça no volante, enquanto eu girava a chave na ignição.
Manobrei o carro para fora do estacionamento e dirigi calmamente até o colégio. Em um sinal vermelho, olhei para o violão e para os rascunhos de letras jogados ali, no banco do passageiro. O refrão de uma das músicas não saía da minha cabeça.
You smile, I smile (oh)
Cause whenever
You smile, I smile
Hey, hey, hey 

Não sei por quê, mas decidi que 'U smile' era a música que eu iria cantar e tocar esta noite. Fiz ela pensando em SN e no quanto seu sorriso me fazia falta. Desde aquela segunda-feira, que dava sequência àquele fim de semana inesquecível, eu não tinha a visto sorrir mais. Ela me evitava, ela não levantava seu olhar para mim, não falava comigo. Por que eu tinha que ser tão amaldiçoado com os assuntos do coração?
Estacionei o carro na vaga que eu sempre ocupava durante as aulas e que, respeitosamente, ninguém ocupava. Saí do carro, respirei fundo, abri a porta do passageiro e tirei de lá o violão. Meu inseparável companheiro. Caminhei pelo chão molhado, devido ao leve sereno que caiu anteriormente, segurando o violão pelo braço. Por fora eu transparecia calmo, mas por dentro eu estava suando, ofegante, gago e com o sangue congelado dentro das veias

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