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sábado, 22 de junho de 2013

What Is Love? 2°capitulo


O sinal bateu e eu fui para a próxima aula. Química. Educação Física e Gramática. Meu dia na escola acabou. Caminhei preguiçosamente pela rua. Eu estava no automático, porque, se caminhar naquele momento fosse dependência de minha vontade própria, eu cairia no chão e não andaria mais. Nunca mais. Eu estava no meio de um parque perto do colégio e perto da minha casa também.
- Justin. - Não precisei me virar e ver que quem chamava pelo meu nome era o último ser humano que eu queria ver VIVO na face da Terra.
- O que você quer, caralho. Já não basta ter me deixado com fama de corno perante todo colégio e mais um pouco, ainda vem como quem não fez porra nenhuma e me chama. O que você quer, sua vadia?
O sangue e o álcool que ainda restavam em minhas veias subiram rapidamente à minha cabeça. Diferi-lhe um tapa certeiro que lhe atingiu em cheio a face esquerda, deixando a região vermelha. Ela resenhou um grunhido, mas sabia que eu estava coberto de razão. Comecei a andar tentando retornar ao meu caminho de casa. Mas havia coisas que estavam engasgadas na minha garganta e que criaram um enorme nó nela. Eu precisava falar.
- Quer saber, Roberta? Já vi que você esqueceu de tudo o que a gente passou. Pois isso é recíproco. Você, a partir de hoje, não significa nada para mim. Nossos passeios, nossos jantares e nossas transas foram apenas mais algumas. A partir de agora, VOCÊ fora apenas mais uma.
Lágrimas começaram a querer brotar dos meus olhos. Eu amava aquela garota. E ela não deu valor a este sentimento. Respirei fundo e dei meia volta. Notei que algo começou a incomodar em meu dedo anelar direito. A maldita aliança de prata. Retirei ela do meu dedo e li a gravação. Justin & Roberta, eterno. O sangue voltou a entrar em ebulição dentro das minhas veias. Joguei a aliança perto dos pés de Roberta.
- Pode ficar com ela. Quem sabe você não derrete e vende?
Ela não ousou dizer nada, pois sabia tanto quanto eu que qualquer argumento causaria uma explosão em mim. Continuei caminhando em direção à minha casa.



Danvas Club, atualmente.

- Chris, mais uma dose. Desta vez com 70% de álcool. - Pedi ao barman.
Desde o acontecido com Roberta, o álcool se tornara mais presente em minha vida. Sim, uma atitude de idiota, mas eu não tinha outra escolha. Eram problemas em casa, na escola, e agora na minha vida amorosa. Eu estava virando mais um adolescente que bebia precocemente. Foda-se. Procurei com os olhos a garota que prendera minha atenção mais cedo. Ela não estava em nenhum lugar. Nem no bar, nem na pista de dança. Olhei mais uma vez e nada. Minha boca pedia mais uma dose. E mais uma. E outra. E uma tripla.
Quando novamente dei por mim, eu estava na pista de dança com uma menina com os cabelos tingidos em um tom de cenoura. Ela usava uma roupa terrivelmente escandalosa: um vestido azul com o comprimento de quatro palmos acima dos joelhos, um decote enorme, maior do que os decotes a que eu estou acostumado a ver a Carol usando. Ela rebolava e se esfregava em mim de um jeito escroto e totalmente vulgar. O álcool tinha dopado as células do meu organismo e eu enxergava Roberta naquela menina.
- Sai para lá. - Empurrei-a. Ela me olhou com uma cara feia. Saí da pista de dança e procurei com os olhos pela garota que eu desejava que estivesse se esfregando em mim. Sim, eu precisava constatar se a pele daquela menina era tão macia quanto aparentava. Queria saber, por experiência própria, se ela tinha o incrível cheiro de pêssego que parecia ter. Eu precisava daquela garota sob meus afagos, beijos e abraços. Precisava ouvir ela dizer meu nome. Precisava ouvir ela GRITAR meu nome. Mas, antes, precisava saber o nome dela.
Procurei por todo o pavimento inferior do Danvas. Nada. Se ela não estava aqui embaixo, estaria no segundo pavimento. Achei a ideia meio estranha, já que no segundo pavimento doDanvas ficavam os quartos que a esta hora estariam todos ocupados por adolescentes bêbados e cheios de tesão para dar.
Subi as escadas caracóis e comecei a procurá-la com os olhos.
- Ei! Cuidado! - Falei quando um casal bêbado esbarrou em mim. Pelo menos eu estava um pouco sóbrio. Um pouco. Procurei-a por todo o corredor do segundo pavimento e nada. Ela não poderia estar em um dos quartos. Ela estava muito incomodada com a festa quando a vi lá embaixo, ela não poderia estar dando a algum pudim de cachaça sem ao menos conhecê-lo. Ela não era amiga da Batista. Ela não agia como a Batista e sua trupe do colégio. Ela não poderia ser deste tipo.
Desisti de procurá-la. Decidi ir embora. Afinal, aquela festa estava um saco mesmo. Voltei para o primeiro pavimento e avistei, ao longe, Batista.
Ela com aquele cabelo louro, um micro vestido cor-de-rosa.
- Justin! - Aquela voz que ativava um latejamento dentro da minha caixa craniana gritou. Fingi que nada estava ocorrendo e abri os braços para dar-lhe um abraço de feliz aniversário.
- Parabéns, darling. - Falei. Ela me abraçou e senti que ela tinha colocado silicone. Típico de uma patricinha. - Silicone?
- Pois é. Daddy que pagou. Gostou?
- Gos... gostei. - Sorri falsamente. Silicone não era algo que eu admirava em uma garota. - Aliás, parabéns, Carol. Tudo de bom. - Desejei-lhe.
- Obrigada, Justinzinho. - Ela me deu mais um beijo melado com seu gloss.
- Estou de saída, Batista. Esta festa já deu para mim. - Falei enquanto soltava-a do meu abraço.
- Já, Justinzinho? Nem cantamos 'happy birthday to you'... - ela falou fazendo bico.
- Sim, Batista. Já deu para mim, entendeu? - Falei em um tom ríspido. Ela era do tipo de garota que só entendia as coisas na base da ignorância. Dei as costas e caminhei em direção à saída.
Caía uma leve garoa lá fora. Olhei para o relógio. 2h15 da madrugada. Do jeito que eu conhecia as festas da Carol, a festa não havia nem começado. Comecei a caminhar com as mãos no bolso da minha calça tentando aquecê-las do terrível frio que fazia do lado de fora. Tirei do bolso a chave da minha Mercedes prateada. Logo o farol piscou e o alarme apitou. Adentrei o carro e dei a partida. Minha vista estava meio embaçada, efeito das dezenas doses de bebida que eu havia ingerido na festa. Balancei minha cabeça algumas vezes e passei a mão em meu rosto. Minha vista se normalizou e comecei a dirigir.
Dirigi alguns metros quando vi o vestido vermelho com saia de tule por qual eu procurei pela festa toda. Ela estava toda encolhida e não tinha mais os escarpins nos pés, estes estavam pendurados em sua mão direita, junto com a bolsa-carteira preta que caprichosamente combinava com o cinto, o sapato e o esmalte que ela usara esta noite. Sem perceber, coloquei um peso inacreditável sobre o pedal do acelerador.
Um forte barulho. Uma ausência de luz total. Um grito estridente. Gosto de sangue. Uma dor muito forte percorrendo meus nervos.



Continua...

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