Marcadores

sábado, 22 de junho de 2013

What Is Love? 4° capitulo


3 anos atrás, 9º ano do Ensino Fundamental.

Sentia minha mão suando frio. Aquele salto alto prateado estava me incomodando mais do que as alças mais que finas daquele maldito vestido que minha mãe me obrigara a usar. Por que as formaturas não poderiam ser assistidas com calça jeans e tênis? Mas nada vencia o fedor daquela beca. Mas agora eu estava indo em busca da resposta que, para o bem ou para o mal, iria mudar minha vida.
Lá estava ele. Com aquele cabelo dourado caindo-lhe sobre a testa. O nariz arrebitado remetia-me vagamente Peter Pan. Seu sorriso, há uns 2 anos, levava-me ao paraíso. Não. Ele não sabia ao menos o meu nome. Não deveria nem saber que a gente tinha dois tempos de aulas juntos, Física e Literatura.
Lá estava ele, rodeado de team leaders.
EU não sabia onde pôr as minhas mãos que soltavam bicas naquele momento. Caminhei lentamente até o grupinho que ele estava. Aproximei-me lentamente dele.
- Jus-Justin... Eu posso falar com você um instantinho?
Ele me mediu.
- Pode falar... - disse, mastigando uma bolinha de queijo. Olhei todos ao redor. Dennis, Jonathan e Caique estavam lá. Nem na morte que eu iria abrir meu coração para um dos garotos mais populares do colégio na frente de todo seu grupo de convívio social.
- Pode ser ali? - Apontei para um lugar mais afastado, entre o bar e os WC's.
- Claro. - Ele lançou um dos sorrisos que eram a causa de eu estar apaixonada por ele.
Caminhamos em silêncio até o lugar que eu havia escolhido. O lugar parecia estar tão longe. Respirei fundo e fechei os olhos ao chegar no local. Pronto. Agora não tinha mais volta. Era tudo ou nada.
- Pode falar. - Ele falou, tomando um gole do ponche que estava sendo servido na festa de formatura. Ele era do tipo de garoto que até as veteranas do Ensino Médio babavam. Eu? Apenas mais uma para a lista de menininhas apaixonadas por ele.
Engoli seco. Todo o líquido que eu havia ingerido durante meus 14 anos de vida resolveram brotar pelas minhas glândulas sudoríparas. Fechei meus olhos mais uma vez e respirei fundo. Era agora ou nunca.
- Justin... Desde o 6º ano eu sinto uma certa atração por você. Não é física nem mental. Eu te amo. - Saiu de uma vez.
Ele soltou uma gargalhada um tanto quanto intimidadora. Mediu-me mais uma vez com os olhos. Seu olhar transmitia uma arrogância e um sentimento de pena incrível. Eu queria que ele tivesse outro tipo de sentimento por mim, não de pena. Eu me sentia um lixo sem ao menos ele ter dito uma palavra.
- Você realmente acha que tem alguma chance de a gente ter um relacionamento sério? Um beijo eu até dou, mas um namoro? - Ele soltou a pior risada. Segurou em meu queixo, nivelou nossos olhares e colou nossos lábios. Sim, os lábios dele pareciam ser de veludo, exatamente do jeito que eu imaginava. O beijo durou exatos 3 segundos. Nada mais do que isso. Ele separou nossos lábios e saiu, voltando ao convívio social com os dançarinos de break do colégio, jogadores de futebol e team leaders. Eu? Fiquei lá, segurando o choro e guardando o beijo em meus lábios. Um beijo de pena era tudo o que eu teria do Justin Bieber.
- Vamos, filha? Seu pai está esperando no carro. - Minha mãe apareceu do nada e me chamou.
- Va-vamos. - Senti uma lágrima correr em meu rosto. Justin tinha pena de mim. Nada mais do que pena. Agradeci mentalmente pelo salão de festas estar com a iluminação baixa. Caminhei com a cabeça baixa em direção a saída, lancei-lhe um último olhar. Talvez ele mudasse de escola. Talvez eu mudasse de escola. Talvez aquela seria a última vez que eu o veria novamente. 
Talvez.
- O que foi, filha? Você está bem? - Minha mãe perguntou quando chegamos na garagem do salão de festas.
- NADA. - Falei ríspida enquanto eu entrava no carro e bati a porta com toda força. Tudo o que eu queria era ir para casa e chorar, como muitas fizeram.

Dias atuais, Barrimore Park.

Uma lágrima caiu do meu olhar ao me lembrar da pena que ele sentia de mim naquela noite. Uma pobre joão-ninguém que o amava. Que era capaz de dar a vida por ele. Capaz de matar e morrer por ele.
Dei um leve safanão e dois tapas leves na face. Ele não aparentava nenhum ferimento grave. Não tinha ossos expostos, nem roupas com manchas de sangue. Só um pequeno corte no supercílio. Então por que diabos ele estava desacordado?
- Justin. Acorde. Eu preciso de você. - Sim, eu ainda mantinha algum sentimento por ele, mas até onde eu sabia este não era mais intenso como fora um dia. - Deus, você poderia ter me colocado entre o poste e o carro. Não iria fazer diferença. Mas por que ele?
Eu ainda não havia me recuperado da ausência da minha mãe. Eu não havia conseguido uma bolsa na faculdade. Para mim, a vida já não estava mais fazendo sentido. Mas Justin tinha tudo o que sempre qualquer um desejou: carros, dinheiro, garotas e popularidade. O que eu tinha? Pais separados. Sonhos. Mais nada.
- E-eu ainda te amo, Justin. - Sussurrei. 
Era incrível como a atitude do Justin naquela noite de junho não afetou em nada meus sentimentos por ele. Algo dentro de mim acreditava fielmente que ele não era daquele jeito e, se fosse, eu acreditava que ele iria mudar.
- Justin, acorde. Vamos, acorde. Preciso que você abra seus olhos. Preciso que você se levante. Anda, Justin. - Eu estava entrando em desespero. Ele não reagia a nada. Nem aos leves tapas nem aos safanões. Puta que pariu. Ele estava inconsciente há alguns minutos. E eu não fazia ideia de como fazer ele acordar.
Levantei-me e fui até minha bolsa, que estava largada no meio fio ao lado dos meus sapatos. Revirei-a e achei o que eu estava procurando. Meu telefone celular. Sem bateria, inferno. Como que eu iria ajudar o desacordado ali? Fitei o carro amassado contra o poste. Fora muita sorte do Justin sair praticamente ileso dali. Fora um milagre. Uma brisa soprou gelada e meus pelos se eriçaram em reação ao frio que estava fazendo. Uma lágrima correu livre por meu rosto e caiu em algum ponto daquele asfalto, confundido-se com a água da chuva que corria por ele, em direção a algum bueiro.
Esfreguei minhas mãos por toda a extensão dos meus braços a fim de me aquecer. Afinal, por que eu estava chorando? Funguei.
- O que ac-conteceu? - Gelei ao ouvir uma voz um tanto quanto conhecida. Virei-me rapidamente, sentindo meus cabelos molhados chicotearem meu rosto devido a rapidez do movimento.
- Justin! - Exclamei afoita. Ajoelhei-me ao seu lado e comecei a apalpá-lo. - Você está bem?



Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário