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sábado, 22 de junho de 2013

What Is Love? 3° capitulo


SN's POV
Duas ou três doses de tequila foram suficientes para me deixar fora do meu estado normal. Mais uma garota americana com problemas alcoólicos. Nem com todas as doses de álcool do mundo aquela festa ficaria suportável para mim. Aliás, nem eu sabia porque estava naquele antro de gente drogada, rica e promíscua. Eu não era nada disso. Nem rica, nem drogada, nem promíscua, nem bonita, nem popular, nem turbinada. Não era nada. Eu não passava de apenas mais uma naquela porra de escola.
A festa, do meu ponto de vista, estava um lixo. Não adianta minha mãe dizer que eu precisava de amigos e de um namorado, eu não pertencia ao mundo plástico e cor-de-rosa daBatista...
Agora? Eu estava em uma calçada de algum parque, em algum bairro longe da minha casa. Eu tinha dinheiro para a condução, mas neste bairro que cheira a goma de tecido existe um veículo chamado 'coletivo'? 
A garoa caía leve em meus ombros desnudos, causando-me arrepios intensos. Eu estava tremendo de frio. Também estava descalça, meu nível de alteração não me permitia andar em um salto agulha de quinze centímetros. Meus escarpins estavam em minhas mãos.
Ouvi pneus cantarem sobre o asfalto molhado. Ouvi minha sombra se projetar a alguns metros a minha frente, sendo consequência de uma luz branca alta de um farol. Um forte barulho. Um grito nasceu no âmago da minha garganta. Meu coração tinha disparado como nunca imaginei um dia. Após o barulho, um silêncio atormentador tomou conta da via do parque. Era possível ouvir apenas as gotas, agora mais grossas, caírem em poças d'água e fazerem barulho, e as batidas do meu coração. Logo recobrei meu raciocínio lógico. Um carro havia se chocado contra um poste. Bem na minha frente. Fiquei abismada com o fato de que, se não fossem frações de tempo e espaço, eu estaria entre a lataria do carro e o concreto do poste, morta.
Os pingos de chuva tornaram-se, imperceptivelmente, mais grossos e intensos, o que fizeram eu recobrar parte do meu raciocínio lógico. Soltei minha bolsa e meus sapatos no chão e olhei a minha volta. Ótimo. Ninguém caminhava por um parque durante a madrugada.
Dei uma volta em torno do carro. A parte traseira estava praticamente intacta. Mas eu não podia dizer o mesmo em relação à parte dianteira. O vidro do parabrisas estava todo estilhaçado sob o insulfilm fumê. Os airbags estavam acionados e sobre o airbag do motorista havia respingos de sangue. Logo a conhecida queimação em meu sistema digestório surgiu. Sangue. Minha cabeça ameaçou rodar. Minha boca estava com uma incrível sensação seca e com um gosto tão amargo quanto fel. 'Take a breath, SN', pensei. Agora não era um momento apropriado para minha fobia a sangue surgir. Eu tinha que ser forte.
Com certa dificuldade, abri a porta do motorista. Arregalei os olhos e entreabri a boca ao ver quem era o motorista acidentado. Justin Drew Bieber. O aluno mais desejado e popular do colégio. Ele tinha todas as meninas que quisesse aos seus pés. E tinha as que ele não queria também.
Ele tinha a cabeça levemente tombada para trás. Filetes de sangue escorriam de seu nariz, do seu supercílio e do canto esquerdo de sua boca. Ele estava inconsciente. Coloquei minha cabeça próxima ao seu peito a fim de saber se seu coração ainda pulsava em sua caixa torácica. Senti sua respiração tão fraca como um último sopro de uma brisa de outono vir de encontro com meu pescoço. Passei meu braço por trás de seu pescoço e o puxei para fora do carro. Ele estava cheirando a álcool. Deve ter passado a festa inteira bebendo e depois deve ter transado em um dos quartos do Danvas com uma garota que ele nem ao menos sabia o nome. Sim, esta era a imagem dos populares que nós, ninguéns do Magnólia High School, tínhamos.
Arrastei-o até a calçada. Sentei-me, com grande dificuldade, no chão e apoiei a cabeça dele em meu colo. Uma maldita lembrança veio em minha mente ao vê-lo ali, desacordado.



Continua...

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