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sábado, 22 de junho de 2013

What Is Love? 11° capitulo


Apenas girei a torneira e deixei a água quentinha escorrer pela minha pele, que ainda cheirava a Justin. Ajeitei-me embaixo do chuveiro e a água percorria toda a extensão do meu corpo. Um sorriso ousou brincar em meus lábios ao me lembrar da noite de hoje.
Quando já estávamos trocados, caminhei em direção à janela e abri, com os dedos, uma brecha da persiana. A lua brilhava lá no alto, solitária, com algumas centenas de estrelas para lhe fazerem companhia.
- Sabes por que a lua é tão sozinha e gelada? - Seu hálito quente veio de encontro ao meu pescoço, causando em mim o conhecido arrepio Bieber, enquanto me abraçava por trás.
- Sei... Porque ela tinha um amante... - falei, virando-me para ele e dedilhando seu rosto com traços, feições e detalhes perfeitos.
- E este romance atraía inveja. - Ele continuou, fitando-me e segurando fortemente em minha cintura.
- A inveja fora capaz de destruir o mais puro e verdadeiro amor... - continuei. A lenda da lua era a que mais me encantava entre todas. A lua era mística, inspiradora, gélida e solitária. Era retratada em quase todas as culturas, tanto gregas, quanto romanas, indígenas...
- Justin? Justinzinho?
A voz irritante de Carol soou lá fora. Droga, esta Barbie maldita tinha que atrapalhar os melhores momentos. Justin separou nosso abraço e caminhou em direção à porta de madeira pintada com tinta creme, em um tom fosco. Abriu a porta e me chamou. Peguei meu casaco e a minha tela principal, a única que eu fazia questão de levar comigo para casa, onde os olhos intensos, vibrantes e castanhos do Justin estavam pintados.
Ao sairmos da sala, Justin segurou em minha mão direita - que eu não segurava a tela - e entrelaçou nossos dedos, surpreendendo-me com tal atitude.
Olhei para Justin e ela sorriu de volta.
- Justin! Aí você está. - Carol gritava, praticamente, do outro lado do corredor. Em poucos segundos, ela estava parada a nossa frente, com toda aquela futilidade, arrogância, riqueza e outros quesitos que eu poderia listar para descrever a Batista. - Justin! E SN? - Ela me fitou e logo após olhou para Justin, com aquele conhecido olhar de "O que vocês estão fazendo de mãos dadas?". - Enfim, Justin... Este é o Scooter, amigo do papai. Scooter, este é o Justin. - Só aí eu fui reparar que havia um homem de calça e camisa social ao lado de Carol. Ele aparentava ter lá seus trinta e poucos anos e sorria feito um bobo.
- Prazer! - Justin esticou sua outra mão e o cumprimentou com um sorriso abobado no rosto.
- Não, Justin. O prazer - pode apostar - é todo meu! E esta jovem, quem é? - Os olhos negros e grandes do homem se voltaram para mim, junto com aqueles trinta e dois dentes extremamente brancos.
- Essa é a SN, quer dizer, SA (seu apelido), minha fic... Namorada. Minha namorada. - Justin falou.
Inconscientemente, meu coração deu mortais triplos dentro do meu peito e pude jurar que meus pulmões tinham virado pedra. Namorada. Tudo o que eu sempre sonhei ver, ouvir e tocar estava se tornando realidade. Deus havia se lembrado de mim, afinal.
- Prazer! - Lá estavam os cinco dedos dele estendidos em minha direção, acordando-me dos meus desvaneios de realizações pessoais internos.
- Pr-prazer! - Gaguejei, cumprimentando-o e logo tomando a mão de Justin de volta.
- Whatever! - Batista revirou os olhos. - Justin, o Scooter veio aqui te assistir e ele gostou muito do que viu e ouviu. - Carol falou. Meu coração aguentava mais emoções por esta noite? - E... Ele quer que você vá na gravadora fazer um teste. E não é um teste qualquer, Justin! Usher vai estar lá! - Ela continuou, empolgada. Scooter ouvia tudo que a Batista dizia e assentia com a cabeça, sorrindo.
- Sé-sério? - Justin gaguejou e engoliu seco. - Você gostou de mim mesmo? Gosh! - Sua mão suava excessivamente, denunciando seu nervosismo.
- Aham. Queremos que você vá tocar lá daqui duas semanas. Está bom para você?
- Bom? - Ele se virou para mim e sorriu. O sorriso mais lindo que ele podia dar. - Está ótimo! Obrigado, Mister Scooter. Obrigado mesmo! - Justin disse, abraçando-o. Ele ia atrás do sonho dele. Corrigindo: Deus havia se lembrado da gente, afinal.

Minha consciência ecológica acusou que já era mais do que hora de me ensaboar, lavar meus cabelos e sair do banho. Ao acabar, vesti-me com meu roupão preto de estampa malhada e saí do box, envolta pelo vapor de água. O banheiro estava incrivelmente quente e aconchegante, comparado com os flocos de neve - os primeiros do inverno - que caíam lá fora.
Distraí-me, penteando e secando meus cabelos. Ouvi um baque abafado, vindo do interior do meu quarto. Prendi a respiração por um segundo. Caminhei em passos mais do que lentos para fora do banheiro, adentrando imediatamente o meu quarto. Olhei para minha cama e lá estava minha tela, toda cortada.
- Andrew... - sussurrei, passando os dedos sobre os cortes que tinham ferido meu talento, minha pintura. Lágrimas extremamente quentes começaram a percorrer minhas bochechas.
- Está de volta, vagabunda? - A voz dele ecoou por meus ouvidos. Em um movimento reflexivo, virei-me na direção da voz.
- Você não tinha o direito de ter feito isso, maldito. - Minha voz saíra totalmente embargada e, por um triz, o ar não fez minhas cordas vocais vibrarem. Era o medo começando a me dominar.
- Eu tenho todo direito sobre você, sua vadiazinha. - Ele disse, acendendo a luz e caminhando na minha direção.
Suas veias do pescoço e dos braços estavam saltadas. Ele usava uma roupa extremamente suja e um objeto de metal preto reluzia na sua cintura. Era uma arma. Congelei. Ele continuou caminhando em minha direção. Foi neste momento que eu vi o canivete prateado que ele segurava, acionado, em uma de suas mãos. Foi com aquele objeto que ele havia estragado a minha tela.
- Não, você não tem. - Falei entredentes, com meu maxilar totalmente trincado.
- Tenho. - Ele disse, exalando aquele hálito que cheirava a pura cerveja. Seus olhos estavam extremamente inchados, vermelhos e com olheiras enormes. Virei meu rosto. A pele extremamente grossa de seus dedos tocaram minha pele gelada e ele me obrigou a encarar seu olhar. - Quero ter o que o Justin teve.
Não ousei responder. Ele estava passando dos limites. Eu já tinha aguentado muita coisa deste maldito, mas não ia aguentar ele abusando de mim. Não mesmo.
- O que ele teve, homem nenhum na face da Terra terá. - Falei, antes de, em um golpe ágil, desvencilhar-me dele e sair correndo corredor afora. Eu precisava de ajuda.
Desci as escadas correndo, a adrenalina em meu sangue estava alta de mais. Eu não ligava para onde estava indo, só sabia que iria fugir dali. Abri a porta e senti alguns flocos de neve misturados com o vento gelado de inverno tocarem minha pele. Bati meu maxilar de frio.
Olhei para trás e lá estava o Andrew, com aquele canivete e aquele olhar de louco vindo em minha direção. Saí de casa e dei a volta nela, indo em direção ao pequeno bosque que havia atrás dela. O bosque onde mamãe me levava para passear e contar histórias. Eu gritava, clamava, implorava por socorro. Mas a rua, a estas horas da madrugada, estava mais deserta que o Saara.
Senti meus pés afundando na grossa camada de neve que já havia se acumulado na grama. Olhei para trás e vi o vulto de Andrew, ainda atrás de mim.
Tropecei em algo e senti minha cara ir de encontro à neve gelada. Droga. Levantei-me rapidamente, mas já era tarde demais. Andrew segurou fortemente e sem delicadeza algum de meus braços.
- Chega de brincadeira. - Ele disse, sério. Ele me empurrou para longe e eu bati minhas costas fortemente contra alguma árvore. Minhas costas doeram. Ele deu três passos largos em minha direção. Encostou a lâmina fria do canivete em minha pele, eu podia ver o fogo do inferno que seus olhos vermelhos refletiam. Eu estava com medo. Comecei, inconscientemente, a chorar. Ele passou uma de suas mãos nas minhas pernas, por debaixo do roupão. Senti-me suja, enojada. Se eu pudesse trocar de pernas, eu o faria.
- Não me toque. - Falei secamente e com o maxilar trincado.
Ele me lançou um último olhar e me diferiu um soco, que desta vez atingiu minhas têmporas, seu anel tocou minha pele e a cortou. Senti o ardor do corte e um filete fino de sangue correr por minhas bochechas.
- Filho de uma puta desgraçada. - Falei, dando-lhe um tapa em sua face. Desvencilhei-me dele mais uma vez, e saí correndo em direção alguma. Mas eu estava com frio e cansada. Não consegui acelerar meus passos e logo ele me alcançou, jogando-me contra uma árvore. Bati meu rosto com tudo no caule desta e senti as pequenas lascas de madeira adentrando, arranhando e perfurando a minha pele. Senti as mãos sujas dele tocarem meu corpo novamente, deixando-me mais enojada do que eu já estava, desta vez ele dedilhou a extensão da minha coluna. Uma súbita sensação de nojo, coragem e medo - tudo misturado. Virei-me para ele e saquei a arma que estava em sua cintura, entre a calça e sua pele escrota. Eu estava trêmula.
- Atira. Vai, ATIRA, sua vadia. - Ele dizia, tentando me persuadir. As palavras dele não iriam me atingir, não hoje.
- Você vai pagar. Por tudo o que você fez com a mamãe e comigo. POR TUDO. - Não sei de onde vinha a coragem para cuspir tais palavras. Por dentro, eu estava mais amedrontada do que rato na chuva de granizo.
Senti meu rosto arder forte, ele havia me diferido mais um tapa. O último. Fechei os olhos e tirei força do âmago da minha alma - ou de outro lugar desconhecido - e apertei o gatilho. Um barulho alto e abafado ecoou pelo pequeno bosque.
- Vá para o inferno. O lugar de onde você nunca deveria ter saído. - Falei inconscientemente. Eram palavras que estavam aprisionadas pelo medo, mas algo tinha assinado a Lei Áurea e decretado a liberdade a elas.
- M-a-l-d-i-t-a. - Von Oviti falou pausadamente ao cair de joelhos no chão. Ele me olhou. - Eu vou para o inferno, mas te levo comigo. - Ele riscou o canivete em minhas pernas, causando enorme dor. Ele havia me cortado. Olhei para baixo e vi a neve a minha volta ser tingida, lentamente, de vermelho. Meus olhos arderam e Andrew finalmente caiu, com aqueles olhos demoníacos abertos e me fitando.
- Que o diabo o carregue. - Falei, larguei a arma e saí correndo, novamente, em direção alguma. Minha perna esquerda ardia e quase não conseguia sustentar meu corpo. 
Vi luzes piscando em algum lugar do horizonte. Estas alternavam entre azul e vermelho. Meus ouvidos zuniam junto com um tipo de alarme. Era a polícia. Tentei acelerar o ritmo dos meus passos e me senti envolta por um abraço. Não era possível. Andrew havia retornado e iria me carregar. Comecei a me debater naquele corpo grande com força, chorando intensamente.
- SOLTE-ME! VOCÊ NÃO VAI ME LEVAR CONTIGO. NÃO VAI! - Eu estava em desespero.
O abraço se intensificou.
- Você está segura agora. Vai ficar tudo bem. - Uma voz extremamente máscula disse enquanto me apeguei mais ao abraço. Minha garganta ardia e se fechava lentamente. Meus olhos derramavam incessavelmente lágrimas. Minha perna não parava de jorrar sangue. Minha vista se apagou. Estaria tudo bem mesmo? Iria tudo ficar realmente bem?

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